Desde 08 de setembro de 1940

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Darcy nasceu em 12 de dezembro de 1895 em São Borja, cidade do Rio Grande do Sul na fronteira com a Argentina.  De uma irmandade de quatro, ela foi a terceira das meninas e aos 14 anos perdeu a mãe. Em 1911, com 15 anos, casou-se na sua cidade com o Deputado Estadual Getulio Vargas, também são borjense e treze anos mais velho.

Em 1923, Darcy muda-se já com seus cinco filhos para o Rio de Janeiro, aonde o marido viria a exercer o cargo de Deputado Federal e depois de Ministro da Fazenda. Quando retornou ao seu Estado natal para acompanhar Getulio, que agora era Presidente do Estado, criou em Porto Alegre a Legião da Caridade para amparar os soldados que partiam para a revolução em 1930. A organização de assistência aos combatentes foi o desdobramento natural de seu espírito atento e solidário ao desamparo alheio que em menina já manifestara quando realizava o natal das crianças pobres na casa dos pais.

Quando Getúlio se tornou o primeiro mandatário do país, de 1930 a 1945 e depois de 1951 a 1954, Darcy, como Primeira Dama, além de apoiar iniciativas importantes de assistência social como a do Abrigo do Cristo Redentor, criou em 1938 a Fundação Darcy Vargas para dar assistência aos menores e concretizou este projeto com a inauguração da Casa do Pequeno Jornaleiro em 8 de setembro de 1940.

Para a efetiva realização desta obra, Darcy Vargas, Primeira Dama, reuniu no Palácio da República, o Presidente da Associação Brasileira de Imprensa, o Presidente e diretores do Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas, o Presidente e diretores do Sindicato dos Distribuidores e Vendedores de Jornais e Revistas e várias personalidades. De forma pioneira, articulou governo e sociedade civil para enfrentar o problema.

O modelo haveria de se repetir com a criação da LBA (Legião Brasileira de Assistência).  Sob sua inspiração e com o apoio da Federação das Associações Comerciais e da Confederação Nacional da Indústria foi criada a LBA, como sociedade civil, em 28 de agosto de 1942 para promover a assistência social e mobilizar o trabalho civil em apoio ao esforço de guerra com a entrada do Brasil na II Guerra Mundial. A LBA transformou-se na primeira instituição de assistência social de âmbito nacional e a assistência social saiu da esfera estritamente particular e beneficente para transformar-se, paulatinamente, em políticas de Estado.

A presidência de Darcy Vargas na LBA foi interrompida após a morte de seu filho caçula, Getúlio, em fevereiro de 1943, aos 23 anos de paralisia infantil. Este trágico acontecimento marca a vida de Darcy que a partir daí abandonou o exercício de representação social esperado do papel de primeira dama e passou a se dedicar apenas à família e ao trabalho assistencial. Retornou à presidência da LBA em 1951 saindo em 1954 com o suicídio de Getulio em agosto.

Até 25 de junho de 1968, quando morreu e foi sepultada no Rio de Janeiro ao lado de seu filho Getúlio, se dedicou com intensidade ao seu projeto mais querido a Casa do Pequeno Jornaleiro.

Mulher e Política: a trajetória da primeira-dama Darcy Vargas (1930-1945).
(Ivana Guilherme Simili)
http://www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/I/Ivana_Guilherme_Simili_42.pdf